As Escolas de Ikebana

A Associação de Ikebana do Brasil estruturou-se como organização da Sociedade Civil sem fins lucrativos no ano de 1962, congregando as diversas Escolas de Ikebana atuantes no País, cada uma delas cultivando seu estilo e formatos próprios.

Ikebana é a arte do design floral japonês. Em essência, uma forma de arte escultural onde a natureza e a criatividade humana se unem para criar arranjos de flores carregados de significados, narrativas e relevância histórica.

A Ikebana destaca as flores, mas também, enfatiza os ramos, hastes, folhas e frutos. Sutil, delicado e efêmero, o arranjo floral japonês integra os elementos do design em suave equilíbrio com a base ou os vasos nos quais são expostos.

Simbolismo, harmonia, ritmo e cor exalam da forma e das linhas e contornos de cada escola e de cada estilo tornando cada arranjo único. São esses os elementos essenciais que definem a Ikebana como expressão artística.

Arte popular no Japão, a Ikebana conquistou e continua ganhando adeptos por todos os. Estima-se que existam mais de 3.000 núcleos de estudo de ikebana ao redor do mundo, com mais de 15 milhões de praticantes da arte japonesa dos arranjos florais.

Inúmeras são as Escolas de Ikebana, cada uma com sua história e sua doutrina artística. Ikenobo (1462) e Ohara-ryū (1895) são escolas tradicionais, enquanto Sogetsu (1927) destaca-se como escola contemporânea.

Cada Escola expressa um design que lhe é característico e pode ser reconhecida por seu estilo, seus formatos, sua estrutura e seu método próprio de transmissão do conhecimento que o aprendiz acessa passo a passo.

É na busca estética e criativa, renovada a cada novo arranjo, que o ikebanista, ao trilhar o caminho das flores, o Kadō, conscientemente ou não, expande os limites de sua relação com a natureza e o divino no Universo.

A arte da Ikebana resulta de um envolvente e profundo diálogo entre o artista e o material floral, entre o artista e as ferramentas de trabalho que usa para compor suas criações.

Formatos e Estilos

A seguir, conheça alguns dos marcantes formatos surgidos ao longo da história da Ikebana.

Rikka

Rikka, um clássico da Ikenobo, é o formato usado para representar a grandiosidade da natureza com todos os seus elementos, desde montanhas altas e baixas, próximas ou distantes, colinas, bosques, rios , vilas e cidades. A água no vaso representa o oceano. O caule posicionado cerca de um punho acima do nível da água simboliza a fonte da vida e é chamado de kiwa.

Shoka

 Fonte Ikenobo – Estilos de Arranjos – ( https://ikenobo.jp/english/about/ )

No final do século XVIII, a interação entre o estilo Rikka e o Nageire, em que as flores descansam livremente no vaso, deu origem a um novo estilo de arranjo chamado Shoka, que literalmente significa “flores vivas”.

Shoka é uma simplificacão do estilo Rikka. Quando expostos no “tokonoma” ( a sala de estar japonesa ), os arranjos desse estilo eram apreciados da posição sentada num tatami (cobertura de palha do piso), de frente para o arranjo.

Moribana

Fonte: Ohara/ Ikebana Internacional/ Autor: Criador: Masateru Fukushima

O formato Moribana, criado em vasos baixos, busca capturar o momento, como se a brisa soprasse o arranjo. A tridimensionalidade do arranjo é realçada.

Esse formato acompanhou mudanças nas tendências arquitetônicas que criaram espaços mais amplos onde os arranjos podiam ser observados por todos os ângulos, em 360 ​​graus.

Ikebana Contemporânea
( Jiuka ou Estilo Livre )

“Ikebana tem suas raízes nos ritos e rituais atemporais de uma cultura antiga, mas sua reverência pela natureza nunca foi tão relevante quanto nesse nosso século 21, digital e consumista”, dizem Gaiger e Loxleyem em seu novo livro “Modern Ikebana: A New Wave in Floral Design, Outubro, 2020“.

A arte da Ikebana, projetada para fluir com as estações do ano e envolver tanto o espectador quanto o artista, vem carregada de significados e os lembra de forma tangível, contemplativa e espiritual, nossa frágil conexão com a Mãe Natureza.

A prática da Ikebana é tanto uma arte quanto uma filosofia. Possui regras que incluem a importância do minimalismo visual e a adesão à natureza, frequentemente disposta numa estrutura triangular escalena (triangulo de lados desiguais) em formas que despertam emoções.

Tal como acontece com muitas das artes tradicionais, a Ikebana permite trazer sua prática para um contexto contemporâneo através da experimentação e da inovação nas formas e nos processos criativos. A Ikebana torna-se universal e contemporânea sempre que o artista se permite percorrer o Kado através de arranjos livres chamados de Jiyuka.