Origens da Ikebana

Diz a lenda que a arte floral da ike-bana ( 生花 ), que significa “flor viva” em tradução literal, teve início na Índia quando Siddhārtha Gautama, que viria a ser Buda, o Iluminado, comoveu-se ao observar uma rosa em um galho de roseira quebrado pelo vento e pediu a um discípulo para coloca-lo num vaso com água para prolongar sua vida, estabelecendo que “a vida é uma dádiva divina e, por isso, a suprema beleza das flores deve ser prolongada o mais possível”.

Talvez devido a essa lenda surgiu o hábito budista de cuidar com carinho das flores e usa-las para ornamentar os altares com singelos arranjos florais.

Da Índia o Budismo expandiu-se para a Coréia e a China disseminando seus princípios e sua arte floral.

No ano de 607, Ono-no-Imoko, embaixador japonês foi enviado a China onde aprendeu a arte da queima dos incensos e dos arranjos florais entre outras expressões culturais.

Segundo a tradição, Ono-no-Imoko retornou ao Japão com grande bagagem cultural e profundo conhecimento sobre os ensinamentos de Buda. Tornou-se monge no templo budista chamado Ikenobô, “A ermida a beira do lago” onde viveu pelo resto de sua vida sob o nome sacerdotal de Senmu, oferecendo devotamente flores ao altar de Buda e instruindo outros monges em sua nobre arte.

O mais antigo manuscrito japonês existente sobre ikebana, datado de 1486, denominado “Kao Irae no Kadensho“, registra 47 tipos de arranjos florais e relaciona seus materiais e seu modo de exibição.

As primeiras referências “a galhos de flores belamente arranjados em vasos” aparecem nos registros poéticos dos Séculos VIII e IX na mais antiga coleção da poesia japonesa, Man’yōshū (万葉集), “Coleção das Dez Mil Folhas” compilada no período Nara por volta de 759 d.C.

Nesse mesmo período, a arte floral japonesa estruturou-se em academia artística com títulos, graus, licenças e certificados.